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Em 30 segundos
- Segundo a BCG (2024), 74% das empresas ainda não mostram valor tangível com IA, e só 26% têm capacidades para ir além da prova de conceito.
- Os líderes colocam 10% dos recursos em algoritmos, 20% em tecnologia e dados e 70% em pessoas e processos.
- A McKinsey (2026) confirma o padrão: uso quase universal, mas só 37% atribuem algum impacto no lucro operacional. No Brasil, 17% das empresas usam IA.
IA nas empresas virou assunto de toda reunião de diretoria, mas resultado ainda é exceção. Segundo a BCG, 74% das empresas ainda não mostram valor tangível com a tecnologia. Apenas 26% desenvolveram as capacidades necessárias para ir além de provas de conceito e gerar valor de forma consistente.
A pergunta que interessa a quem toca uma empresa é o que esses 26% fazem diferente. Este texto cruza a pesquisa da BCG com a da McKinsey de 2026 e com os dados brasileiros do Cetic.br, e separa o que os números dizem do que é interpretação.
O que a BCG mediu e como ler o número
O estudo foi divulgado em 24 de outubro de 2024 e se baseia em uma pesquisa com 1.000 CxOs e executivos seniores, de mais de 20 setores, em 59 países. A BCG avaliou a maturidade de cada empresa em 30 capacidades-chave.
O resultado se divide em três grupos:
- 74% ainda não mostram valor tangível com o uso de IA.
- 26% desenvolveram as capacidades para ir além da prova de conceito e gerar valor.
- Dentro desses 26%, 4% têm capacidades de ponta em várias funções e geram valor significativo de forma consistente, e 22% têm estratégia de IA, capacidades avançadas e começam a colher ganhos substanciais. A BCG chama esse segundo grupo de líderes.
Três cuidados de leitura. O número é global, não brasileiro. É de 2024, e o tema se move rápido. E "ainda não mostra valor tangível" não significa prejuízo: significa que a empresa não demonstrou retorno claro, o que pode ser tanto resultado ruim quanto falta de medição.
O que os 26% fazem diferente
A BCG descreve os líderes por comportamento, não por tamanho de orçamento. Os pontos principais:
- Seguem a regra 10-20-70. Segundo a BCG, os líderes colocam 10% dos recursos em algoritmos, 20% em tecnologia e dados e 70% em pessoas e processos. A mesma lógica aparece como diagnóstico dos problemas: cerca de 70% dos desafios de implementação vêm de pessoas e processos, 20% de tecnologia e só 10% dos algoritmos.
- Perseguem menos oportunidades. Em média, os líderes tocam cerca de metade das oportunidades de IA que seus pares menos avançados e escalam mais que o dobro de produtos e serviços de IA.
- Focam nos processos centrais do negócio. A BCG afirma que o maior valor da IA está nos processos centrais, onde os líderes geram 62% do valor.
- Ligam IA a custo e a receita. Quase 45% dos líderes integram IA em esforços de transformação de custos, contra 10% dos demais.
O padrão que une os quatro pontos é menos glamour do que parece: foco, escala e gente. A parte tecnológica é a menor fatia.
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Iniciar diagnósticoResultados de IA nas empresas em 2026: o que a McKinsey mostra
A McKinsey publicou em 25 de agosto de 2026 a edição "The state of AI in 2026: On the road to ROI", baseada em respostas de 1.719 participantes em 97 países. Os números centrais:
- Quase nove em cada dez respondentes relatam uso regular de IA em ao menos uma função de negócio.
- 44% dizem que a IA está sendo escalada na empresa inteira, contra 38% um ano antes.
- 37% atribuem à IA algum impacto no lucro operacional (EBIT), parcela próxima à do ano anterior.
- 6% são "alto desempenho": atribuem 5% ou mais do EBIT à IA.
O que separa o grupo de alto desempenho, segundo a McKinsey: quase três quartos dizem ter redesenhado fluxos de trabalho por causa da IA, contra um quarto dos demais, e têm duas vezes mais chance de relatar processos definidos para medir o impacto.
BCG e McKinsey lado a lado
| Critério | BCG (2024) | McKinsey (2026) |
|---|---|---|
| Amostra | 1.000 executivos, 59 países | 1.719 participantes, 97 países |
| O que mede | Maturidade e valor tangível | Uso, escala e impacto no EBIT |
| Achado de adoção | 26% com capacidades para escalar | Quase 9 em 10 usam em alguma função |
| Achado de valor | 74% sem valor tangível ainda | 37% com algum impacto no EBIT; 6% com 5% ou mais |
As pesquisas usam perguntas e amostras diferentes, então os percentuais não se somam nem se comparam diretamente. O que vale é o padrão que se repete: o uso é amplo, o valor é concentrado, e o que diferencia quem colhe é a forma de trabalhar, não a ferramenta.
E no Brasil: o desafio vem antes
Os dados brasileiros mostram outro ponto de partida. Segundo a TIC Empresas 2025, do Cetic.br, 17% das empresas usaram IA em 2025 (13% em 2024), e 15% das pequenas. Entre as que usam, 68% citam automação de processos e fluxos de trabalho, e 80% adotaram soluções prontas.
Duas leituras, ambas da Redação:
- Aqui, o desafio anterior ao do valor é começar. Com 83% das empresas sem uso declarado, o gargalo principal é a primeira decisão. O panorama completo está em Uso de IA nas empresas brasileiras chega a 17%.
- Se quase todo mundo compra software pronto, a ferramenta não é diferencial. O que separa um piloto que paga o próprio custo de um que vira gasto é o processo escolhido, a medição e a rotina da equipe, exatamente o que a BCG e a McKinsey descrevem nos líderes.
As pesquisas brasileiras consultadas para este texto (Cetic.br, IBGE e Sebrae) medem adoção e tipo de uso, não retorno financeiro. Por isso, não há aqui um "74% brasileiro" para citar, e inventar um seria desonesto.
Por que os resultados de IA nas empresas ainda são desiguais
Juntando os dados, as causas mais plausíveis, que são interpretação da Redação a partir das pesquisas, são cinco:
- Ferramenta antes do processo. Compra-se a assinatura e depois se procura o que fazer com ela.
- Sem linha de base. Sem medir o "antes", o "depois" vira impressão.
- Pilotos sem dono. Ninguém responde pelo número, e o teste morre sem decisão.
- IA colocada em cima do fluxo antigo. A McKinsey mostra que o grupo de alto desempenho refaz o fluxo, não só insere a ferramenta.
- Pouco investimento em gente. Treino, regras de uso e tempo de adaptação fazem parte da maior fatia do esforço dos líderes, segundo a BCG, e é fácil deixá-los para depois.
O que uma empresa de médio e pequeno porte pode copiar dos 26%
Os números vêm de empresas e contextos variados, mas o comportamento se traduz bem:
- Poucos processos, bem escolhidos. Um por vez, com frequência alta e risco baixo.
- Medir antes e depois. Tempo por tarefa, erros, custo.
- Redesenhar o passo a passo. Perguntar o que muda para a pessoa, não só o que a ferramenta faz.
- Gastar a maior parte do esforço com gente. Treino curto, regras escritas, um dono do processo.
- Acompanhar o número com regularidade. Uma revisão mensal, com decisão de manter, ajustar ou parar.
O roteiro prático, semana a semana, está em Como implementar IA na empresa em 30 dias. Para um caso concreto de canal, veja Atendimento com IA no WhatsApp: 24 horas sem contratar.
Como saber de que lado você está
Responda sim ou não:
- Existe um processo escolhido para a IA, e não só uma ferramenta assinada?
- Você mediu como esse processo funciona hoje?
- Há uma pessoa responsável pelo número?
- Existe uma meta e uma regra de parada definidas antes do teste?
- A equipe foi treinada e sabe o que a ferramenta pode e não pode fazer?
- Há uma revisão marcada para decidir se escala, ajusta ou para?
Muitos "não" indicam que o próximo passo é de organização, não de tecnologia. Se quiser uma leitura inicial do seu caso, o Diagnóstico Oráculo leva cerca de 3 minutos e devolve uma nota de maturidade e três oportunidades priorizadas. Nenhuma pesquisa garante resultado em uma empresa específica, mas dá para seguir o que os líderes fazem e medir o que acontece.
Fontes
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