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Uso de IA nas empresas brasileiras chega a 17%

A TIC Empresas 2025 mostra 17% de adoção, contra 13% em 2024. Veja o que mudou por porte e o que as demais empresas podem estar deixando passar.

Em 30 segundos

  • 17% das empresas brasileiras usaram IA em 2025, contra 13% em 2024: pequenas 15%, médias 32% e grandes 50%.
  • Entre as empresas que usam, 68% aplicam IA em automação de processos e 80% adotaram software pronto, sem desenvolver nada do zero.
  • Adoção não é resultado: os dados mostram quem começou, não quem ganhou. O primeiro passo é escolher um processo e medir.

O uso de IA nas empresas brasileiras chegou a 17% em 2025, contra 13% em 2024. O número vem da pesquisa TIC Empresas 2025, do Cetic.br, e é a leitura mais sólida que existe hoje sobre quem já colocou a tecnologia para trabalhar no país. Ele traz duas notícias ao mesmo tempo: a adoção cresceu, e a grande maioria das empresas ainda não começou.

Este texto explica o que o dado mede, onde a adoção se concentra, o que as empresas que usam IA fazem com ela e o que as demais podem estar deixando passar. Sem exagero e sem prometer resultado.

O que a TIC Empresas 2025 mediu

A TIC Empresas é uma pesquisa anual do Cetic.br, centro de estudos ligado ao NIC.br e ao Comitê Gestor da Internet no Brasil. A edição de 2025 entrevistou 4.174 empresas por telefone, entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026. O recorte é de empresas com mais de dez pessoas ocupadas.

Os números principais:

  • 17% das empresas afirmaram usar alguma aplicação de IA em 2025. Em 2024, eram 13%.
  • A estimativa do Cetic.br é de 93.475 empresas usando IA no país.
  • Do outro lado da conta, 83% não declararam uso de nenhum tipo de IA.

Dois cuidados de leitura ajudam a não tirar conclusão errada.

Primeiro, o recorte deixa de fora as empresas muito pequenas. Para elas, a referência é outra pesquisa, a do Sebrae, que mede como os pequenos negócios usam tecnologia e tem metodologia própria. Os números das duas pesquisas não são comparáveis entre si.

Segundo, "IA" no questionário é um guarda-chuva. Entram automação de processos e fluxos de trabalho, mineração de texto, geração de linguagem, aprendizado de máquina, reconhecimento de imagem e de fala. Não é só chatbot.

Uso de IA nas empresas brasileiras por porte: pequenas 15%, médias 32%, grandes 50%

O crescimento aconteceu em todos os portes, mas o ponto de partida é muito diferente. A tabela reúne os números do Cetic.br:

Porte 2024 2025
Total 13% 17%
Pequenas 10% 15%
Médias 29% 32%
Grandes 38% 50%

Metade das grandes empresas já usa IA, enquanto entre as pequenas são 15%. A distância é de 35 pontos percentuais. As grandes subiram 12 pontos em um ano. As pequenas subiram 5.

As médias merecem atenção: quase uma em cada três já usa, e a taxa subiu três pontos em um ano.

Outras pesquisas ajudam a situar o número. O IBGE mediu, na indústria extrativa e de transformação, 41,9% de uso de IA em 2024, mas em empresas com 100 ou mais pessoas ocupadas, um recorte de porte bem maior. Na Europa, o Eurostat registrou 20,0% das empresas da União Europeia com dez ou mais empregados usando IA em 2025, ante 13,5% em 2024. São pesquisas diferentes, então vale comparar a ordem de grandeza, não o decimal: o Brasil está perto do patamar europeu, ainda um pouco abaixo.

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O que as empresas fazem com IA: automação de processos lidera

Entre as empresas que usam IA, o Cetic.br perguntou para quê. As categorias não são excludentes, e uma empresa pode aparecer em várias:

  • Automação de processos e fluxos de trabalho: 68% das empresas que usam IA. O percentual está estável em relação aos últimos anos.
  • Mineração de texto e análise de linguagem escrita: 38%, contra 22% em 2024.
  • Geração de linguagem natural, escrita ou falada: 30%, contra 20% em 2024.

Dois sinais saem daí. O uso mais comum não é o mais vistoso: é tirar tarefa repetitiva da mão das pessoas. E o que mais cresceu foi justamente a IA que lê e escreve texto, a família de ferramentas que o dono de empresa conhece por assistentes e chats.

Software pronto: o caminho de 80% das empresas

Outro dado que desfaz um mito: entre as empresas que usam IA, 80% adotaram soluções prontas para uso, contra 76% em 2024. Também 54% contrataram fornecedores externos para modificar ou desenvolver sistemas de IA (as categorias se sobrepõem). Entre as grandes empresas que usam IA, 37% disseram que os sistemas foram desenvolvidos internamente.

Traduzindo: a maior parte das empresas não montou time de ciência de dados nem treinou modelo próprio. Comprou ou assinou uma ferramenta e aplicou a um problema. O Cetic.br descreve o padrão como "soluções prontas, com pouco desenvolvimento interno". A barreira de entrada, portanto, não é construir tecnologia. É escolher bem onde aplicá-la.

O que as empresas que ainda não usam IA podem estar perdendo

A pergunta que muita gente faz é se quem não usa está ficando para trás. A resposta honesta: a pesquisa mede quem usa, não quem perde. Nenhum dado aqui prova prejuízo por não adotar.

O que os números permitem dizer, com cautela:

  1. A curva de aprendizado está sendo percorrida por outros. Metade das grandes e quase uma em cada três médias já têm experiência prática com a ferramenta. Quem começar depois provavelmente aprenderá o que concorrentes e fornecedores já aprenderam.
  2. O uso dominante ataca trabalho repetitivo. Com 68% das usuárias aplicando IA a processos e fluxos, é razoável supor que o ganho esteja onde há tarefa recorrente: triagem, cadastro, conferência, resposta padrão, relatório. Quem tem essas tarefas e não as mediu ainda não sabe quanto tempo gasta nelas.
  3. O tempo para testar é barato. Com 80% usando software pronto, um piloto pequeno não exige projeto de TI.

O que está em jogo, então, é menos uma ameaça e mais uma janela: horas de equipe que poderiam ir para venda, relacionamento e decisão. Quanto isso vale depende do seu processo, e só a sua medição responde.

Adoção não é resultado

Uma ressalva importante antes de correr para uma assinatura. Usar IA não é o mesmo que ter retorno com IA. Na pesquisa global da McKinsey de 2026, com 1.719 participantes em 97 países, quase nove em cada dez respondentes relatam uso regular de IA em ao menos uma função de negócio, mas 37% atribuem a ela algum impacto no lucro operacional (EBIT). A diferença entre usar e lucrar é o assunto de outro texto desta série: IA nas empresas: 74% ainda não mostram valor.

Como usar esses números na sua empresa

Os dados do Cetic.br servem de bússola, não de meta. Quatro movimentos práticos:

  1. Descubra onde você está. Quem quiser uma leitura rápida pode fazer o Diagnóstico Oráculo, com 9 perguntas e cerca de 3 minutos. Ele devolve uma nota de maturidade em IA e três oportunidades priorizadas, como ponto de partida e não como veredito.
  2. Liste três tarefas repetitivas. Aquelas que alguém da equipe faz toda semana, com regra clara e pouco risco.
  3. Meça uma delas antes de mexer. Quantas vezes por semana, quanto tempo por vez, quantos erros.
  4. Teste uma ferramenta pronta por duas a quatro semanas. O roteiro completo está em Como implementar IA na empresa em 30 dias.

Se o seu primeiro candidato é o atendimento ao cliente, vale ler antes Atendimento com IA no WhatsApp: 24 horas sem contratar. Segundo o Cetic.br, 68% das empresas venderam pela internet em 2025 e, entre elas, 79% usaram WhatsApp ou Telegram. É onde muita empresa brasileira já conversa com o cliente.

Para acompanhar as próximas pesquisas e o que elas significam para quem toca uma empresa, assine a newsletter do OráculoX.

Metodologia e limites desta leitura

Os números de adoção, porte, tipos de IA e forma de aquisição vêm do Resumo Executivo da TIC Empresas 2025, publicado pelo Cetic.br. Os dados do Eurostat, do IBGE e da McKinsey são de pesquisas distintas, com populações e perguntas diferentes, e aparecem aqui como contexto, não como comparação direta. Interpretações marcadas como leitura da Redação são opinião editorial e não constam das pesquisas citadas.

Fontes

  1. Cetic.br, TIC Empresas 2025: Resumo Executivo (PDF)
  2. Cetic.br, Pesquisa TIC Empresas: indicadores e tabelas
  3. Eurostat, 20% of EU enterprises use AI technologies (11/12/2025)
  4. IBGE, Pesquisa de Inovação Semestral: uso de IA na indústria (24/09/2025)
  5. McKinsey, The state of AI in 2026: On the road to ROI (25/08/2026)

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